O candidato ao Governo do Espírito Santo Lorenzo Pazolini (Republicanos) participou nesta terça-feira (1º) de uma sabatina promovida pela Rede Gazeta, com transmissão pela CBN Vitória e pelas plataformas digitais do grupo. Durante cerca de uma hora de entrevista, o candidato respondeu a questionamentos sobre alianças políticas, gestão pública, economia, reforma tributária, segurança, atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e sua proximidade com o campo político ligado ao bolsonarismo.
A sabatina faz parte da cobertura das Eleições 2026 e teve a participação de jornalistas e colunistas. Na abertura, Pazolini foi apresentado como advogado, pós-graduado em segurança pública, ex-delegado da Polícia Civil e ex-auditor do Tribunal de Contas. Ele entrou na política em 2018, quando foi eleito deputado estadual, e posteriormente assumiu a Prefeitura de Vitória, sendo eleito em 2020 e reeleito em 2024. Em abril deste ano, deixou o cargo de prefeito para disputar o Governo do Espírito Santo.
Pazolini fala sobre relação com o PL
Um dos primeiros temas abordados na entrevista foi a relação entre Lorenzo Pazolini e o Partido Liberal (PL), uma das principais forças que integram sua aliança política.
Questionado sobre a influência do partido em um eventual governo e sobre a possibilidade de lideranças como o senador Magno Malta indicarem secretários estaduais, Pazolini afirmou que pretende manter uma administração aberta ao diálogo com diferentes grupos políticos.
O candidato citou como exemplo sua experiência na Prefeitura de Vitória, onde, segundo ele, buscou aproximar a gestão de lideranças comunitárias e políticas. Pazolini afirmou que pretende repetir essa estratégia caso seja eleito governador.
Segundo o candidato, o PL não teria uma posição privilegiada simplesmente por ter sido um aliado durante a campanha. Ele afirmou que pretende ouvir diferentes partidos e considerar propostas apresentadas por grupos políticos distintos.
Pazolini também defendeu que, após o encerramento da eleição, as disputas partidárias devem dar lugar à administração pública.
“Acabou a eleição, as disputas partidárias, ideológicas terminam ali”, afirmou durante a sabatina, ao defender uma postura voltada à gestão a partir do início de um eventual mandato.
Candidato diz que gestão deve equilibrar política e técnica
Ao ser questionado sobre a composição de uma eventual equipe de governo, Pazolini rejeitou a ideia de uma administração exclusivamente política ou exclusivamente técnica.
O candidato afirmou que sua experiência em Vitória mostrou, na avaliação dele, que é possível combinar articulação política com critérios técnicos.
Durante a entrevista, Pazolini citou medidas adotadas na Prefeitura de Vitória e afirmou que sua administração extinguiu metade dos cargos comissionados. Segundo ele, a medida teria proporcionado uma economia de aproximadamente R$ 150 milhões aos cofres municipais.
A proposta apresentada pelo candidato para o Estado segue a mesma linha: reduzir estruturas consideradas ineficientes, estabelecer metas e utilizar indicadores de desempenho para avaliar os resultados das secretarias.
Pazolini afirmou que pretende utilizar boas práticas de gestão e mecanismos de avaliação para melhorar a prestação dos serviços públicos.
Pazolini admite proximidade com o bolsonarismo
Um dos momentos de maior destaque da sabatina ocorreu quando o candidato foi questionado diretamente se se considera um político bolsonarista.
Pazolini afirmou que se identifica mais com o projeto político defendido por Flávio Bolsonaro do que com outras correntes políticas, mas ressaltou que sua atuação não significa concordância automática com todas as posições do grupo.
O candidato classificou sua administração como de centro-direita e afirmou que pretende levar para o Governo do Espírito Santo uma visão baseada em racionalidade, estudos e evidências.
Pazolini também destacou que considera importante respeitar opiniões diferentes e evitar que disputas ideológicas impeçam a discussão de políticas públicas.
Durante a entrevista, ele afirmou que sua proximidade com o projeto político de Flávio Bolsonaro é maior, mas reforçou que diferentes pessoas podem ter posições distintas sobre assuntos específicos.
Candidato questiona atuação de instituições
A relação entre os Poderes também esteve entre os assuntos abordados.
Ao responder sobre críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Pazolini afirmou que considera necessário preservar o equilíbrio entre as instituições.
O candidato questionou situações em que, segundo sua avaliação, uma mesma instituição poderia concentrar diferentes funções dentro de uma investigação ou processo.
Pazolini defendeu que as atribuições previstas pela Constituição sejam respeitadas e afirmou que o país precisa recuperar um ambiente de maior equilíbrio institucional.
Para ele, o debate sobre possíveis excessos deve ocorrer dentro dos mecanismos previstos pelo sistema democrático.
Pazolini evita antecipar julgamento sobre Alexandre de Moraes
Questionado especificamente se Alexandre de Moraes deveria ser alvo de um processo por crime de responsabilidade no Senado, Pazolini afirmou que não caberia a ele fazer um julgamento antecipado.
O candidato lembrou que não disputa uma vaga no Senado e que eventual processo desse tipo precisaria ser analisado pelos senadores.
Pazolini disse ainda que não teve acesso a todos os autos e elementos relacionados aos casos envolvendo o ministro. Ao mesmo tempo, afirmou que, se for comprovado que houve extrapolação de competência, deve existir uma forma de responsabilização.
Na avaliação apresentada pelo candidato, o Senado possui entre suas funções o papel de equilíbrio entre os Poderes.

Urnas eletrônicas também foram abordadas
A sabatina também entrou em um dos temas mais sensíveis do debate político nacional: a confiança nas urnas eletrônicas.
Questionado sobre uma suposta premissa do bolsonarismo de que as urnas não seriam confiáveis, Pazolini afirmou que não tinha visto Flávio Bolsonaro defender essa posição durante a atual campanha.
O candidato, porém, declarou que considera que as urnas possuem grau de confiabilidade. Como argumento, lembrou que foi eleito três vezes por meio do sistema eleitoral.
Pazolini afirmou ainda que não possui conhecimento técnico suficiente para fazer uma avaliação científica sobre o funcionamento das urnas e disse confiar nos estudos e análises produzidos sobre o sistema.
Reforma tributária preocupa candidato
Outro assunto de destaque foi o impacto da reforma tributária sobre o Espírito Santo.
Pazolini afirmou que o Estado precisa se preparar para mudanças que poderão afetar a arrecadação dos governos estadual e municipais.
Na avaliação do candidato, a transformação do modelo de tributação poderá provocar mudanças importantes na economia capixaba, exigindo planejamento para os próximos anos.
Ele citou especialmente a situação dos municípios e defendeu uma estratégia de desenvolvimento que não fique concentrada apenas na Grande Vitória.
Segundo Pazolini, o Espírito Santo precisa pensar em alternativas para ampliar sua capacidade de geração de receitas e manter o dinamismo econômico diante das mudanças previstas no sistema tributário.
Turismo aparece como estratégia para a economia
Entre as alternativas apresentadas pelo candidato está o fortalecimento do turismo.
Pazolini afirmou que o setor pode ter papel importante na preparação do Espírito Santo para as transformações econômicas dos próximos anos.
Durante a entrevista, ele citou investimentos realizados em Vitória e afirmou que a capital teria ampliado sua capacidade de atrair investimentos e movimentar a economia por meio do turismo.
O candidato também defendeu que o desenvolvimento econômico precisa alcançar os 78 municípios do Espírito Santo, com investimentos descentralizados e estímulo à atividade econômica no interior.
Investimentos e geração de empregos
Ao falar sobre a economia de Vitória, Pazolini afirmou que a capital registrou a criação de mais de 4 mil postos de trabalho nos dois meses anteriores à entrevista.
O candidato utilizou o dado para defender a estratégia econômica adotada durante sua gestão municipal.
Ele também reconheceu desafios relacionados à arrecadação e à estrutura econômica do Estado e defendeu investimentos nos municípios como forma de estimular a geração de empregos e renda.
Pazolini afirmou que um eventual governo pretende ampliar os investimentos nos 78 municípios capixabas, buscando estimular o crescimento econômico de diferentes regiões.
Metas de desempenho na administração pública
Outro ponto apresentado por Pazolini foi a utilização de metas de desempenho para avaliar as secretarias estaduais.
Questionado sobre a possibilidade de vincular recursos ao desempenho das áreas do governo, o candidato explicou que pretende utilizar mecanismos de gestão semelhantes aos que afirma ter aplicado em Vitória.
Segundo Pazolini, a administração pública precisa estabelecer objetivos claros, acompanhar resultados e identificar quais políticas estão funcionando.
Ele afirmou que, ao assumir a Prefeitura de Vitória, encontrou uma estrutura que, em sua avaliação, não tinha mecanismos suficientes de acompanhamento de produtividade e governança. A partir disso, disse ter buscado incorporar práticas utilizadas pelo setor privado, pelo ecossistema de inovação e por organizações produtivas.
A proposta apresentada durante a sabatina coloca a eficiência administrativa como um dos pilares do plano de governo do candidato.
Transporte e serviços públicos também estão entre as prioridades
Pazolini afirmou que, caso seja eleito governador, pretende concentrar esforços na melhoria dos serviços públicos.
Entre os setores citados estão o transporte coletivo, os terminais rodoviários e outras áreas consideradas prioritárias para a população.
O candidato afirmou que, após o período eleitoral, o foco de uma eventual administração deve ser a resolução dos problemas enfrentados pelos cidadãos, independentemente das disputas políticas que tenham ocorrido durante a campanha.
A proposta, segundo ele, é levar ao Estado o modelo de gestão que considera responsável pelos resultados obtidos em Vitória.
Sabatina coloca propostas de Pazolini em evidência
A participação de Lorenzo Pazolini na sabatina permitiu que o candidato apresentasse posições sobre diferentes temas que deverão fazer parte da disputa pelo Governo do Espírito Santo.
Ao longo da entrevista, Pazolini buscou associar sua candidatura à experiência acumulada na administração de Vitória e defendeu uma gestão baseada em metas, indicadores, planejamento e avaliação de resultados.
Ao mesmo tempo, deixou clara sua proximidade política com o campo de centro-direita e com o projeto apoiado por Flávio Bolsonaro, embora tenha ressaltado que pretende manter diálogo com diferentes grupos.
A entrevista também mostrou que temas nacionais, como a atuação do STF, o equilíbrio entre os Poderes e a confiança nas urnas, deverão fazer parte da campanha eleitoral no Espírito Santo.
No campo econômico, Pazolini apresentou preocupações com os efeitos da reforma tributária e defendeu investimentos em turismo, infraestrutura e nos municípios como estratégias para fortalecer a economia capixaba.
Com a campanha de 2026 em andamento, a sabatina amplia o espaço para que o eleitor conheça as posições dos candidatos e compare diferentes propostas para o futuro do Espírito Santo.








































