O mercado imobiliário do Espírito Santo passa por uma mudança no perfil dos empreendimentos lançados na Grande Vitória. Os apartamentos compactos no Espírito Santo vêm conquistando espaço entre compradores e investidores e já representam 43,6% das vendas do setor, de acordo com dados divulgados no levantamento citado na reportagem.
A tendência envolve principalmente studios e apartamentos de um ou dois quartos, geralmente com áreas menores e projetos pensados para aproveitar melhor cada metro quadrado. Além da metragem reduzida, os novos empreendimentos têm apostado em estruturas compartilhadas, tecnologia e serviços que atendem às necessidades de quem busca praticidade.
Segundo os dados apresentados, os imóveis compactos normalmente possuem entre 20 m² e 50 m². Os condomínios podem oferecer espaços como coworking, lavanderia, minimercado, bicicletário e áreas de lazer, criando uma estrutura que vai além do próprio apartamento.
Mudança no perfil dos compradores
A expansão dos apartamentos compactos no Espírito Santo está relacionada a transformações no comportamento dos consumidores e também ao interesse de investidores.
Na Grande Vitória, o público que compra esses imóveis não é formado exclusivamente por jovens. Conforme levantamento citado na reportagem, apenas cerca de 10% dos compradores são jovens. A maior concentração está entre pessoas de 35 a 55 anos, principalmente de classes econômicas mais elevadas e que enxergam os imóveis como alternativa de investimento.
Esse cenário mostra que os imóveis menores deixaram de ser associados apenas a pessoas que procuram uma primeira moradia. Atualmente, eles também são considerados produtos voltados à geração de renda por meio de aluguel tradicional ou de curta duração.
Short stay impulsiona novos empreendimentos
Um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento dos imóveis compactos é a expansão do chamado short stay, modelo de locação por períodos curtos.
Parte dos empreendimentos lançados na Grande Vitória já é planejada pensando nesse tipo de utilização. A estratégia interessa especialmente a investidores que buscam explorar a demanda por hospedagens em regiões próximas a praias, centros comerciais, universidades e outros pontos de interesse.
Vila Velha aparece com destaque nesse movimento. Segundo os dados apresentados na reportagem, o município concentrou 2.427 unidades lançadas, enquanto Vitória registrou 1.189 imóveis.
A localização é um dos principais fatores considerados nesse mercado. Regiões próximas ao litoral e com ampla oferta de serviços podem aumentar a atratividade dos imóveis tanto para moradores quanto para pessoas que procuram hospedagem temporária.
Vitória e Vila Velha concentram novos projetos
A Grande Vitória concentra boa parte dos empreendimentos que apostam nesse novo perfil de moradia.
Em Vila Velha, a Praia de Itaparica reúne diferentes projetos voltados aos apartamentos compactos. Os empreendimentos incluem studios e unidades de um ou dois quartos, além de opções destinadas a investidores interessados em locações tradicionais ou de curta temporada.
Entre os projetos está o Living 243, localizado a aproximadamente 200 metros da Praia de Itaparica. O empreendimento possui 87 apartamentos, incluindo studios, lofts, gardens e unidades de um quarto, com áreas entre 36 m² e 78 m². A estrutura prevê coworking, sala de reunião, lavanderia, minimercado, espaço para entregas, piscina, academia e áreas de convivência.
Outro empreendimento citado é o ITA. Living, também na Praia de Itaparica. O projeto terá 162 unidades residenciais, sendo 117 studios, 40 apartamentos de dois quartos e cinco unidades garden. O condomínio ainda contará com espaços como coworking, lavanderia, academia, área gourmet, minimercado, bicicletário e piscina.
Serviços compartilhados ganham importância
Uma das principais mudanças observadas nos novos projetos é a inclusão de serviços compartilhados.
Em vez de concentrar todos os recursos dentro do apartamento, as construtoras têm ampliado as áreas comuns para oferecer estruturas que podem ser utilizadas por diferentes moradores.
Coworkings, lavanderias, academias, minimercados, espaços para receber encomendas, áreas para animais de estimação e bicicletários aparecem em diferentes projetos da Grande Vitória.
Essa estratégia ajuda a compensar a menor área privativa das unidades e acompanha um estilo de vida em que os moradores passam mais tempo utilizando espaços coletivos.
Tecnologia também entra nos projetos
Além da otimização dos espaços, os novos empreendimentos estão incorporando tecnologias voltadas à segurança, comodidade e sustentabilidade.
Entre os recursos encontrados nos projetos estão fechaduras eletrônicas, reconhecimento facial, portaria virtual, automação de acessos e infraestrutura para recarga de veículos elétricos.
Alguns condomínios também apostam em soluções para reduzir o consumo de água e energia. O Ilha de Hokkaido, por exemplo, prevê reaproveitamento da água da chuva para irrigação dos jardins e equipamentos destinados à redução do consumo.
Outro exemplo é o U.Connect Residence, em Coqueiral de Itaparica, que prevê energia fotovoltaica para as áreas comuns, telemetria para acompanhamento do consumo de água e energia e sistema de controle de acesso. O empreendimento também terá um hub de coworking com 803 m².
Mercado acompanha mudanças na sociedade
O crescimento dos apartamentos compactos no Espírito Santo também está relacionado à redução do tamanho dos domicílios e à busca por imóveis com menor custo total.
Dados apresentados em outra pesquisa sobre o mercado capixaba mostram que apartamentos de dois dormitórios representaram 40,9% dos lançamentos, enquanto unidades de um dormitório corresponderam a 36,8%. O levantamento apontou ainda que os imóveis compactos chegaram a 43,6% do padrão de mercado no Estado.
Ao mesmo tempo, dados mais recentes do setor indicam que a produção de unidades de um quarto avançou cerca de 80% entre levantamentos realizados em 2025 na Grande Vitória, reforçando a percepção de que a oferta está acompanhando uma demanda maior por esse tipo de imóvel.
Investimento e moradia dividem espaço
O cenário atual mostra que os imóveis compactos passaram a atender diferentes objetivos.
Para quem pretende morar, a localização e a praticidade podem ser fatores decisivos. Já para investidores, a possibilidade de utilizar o imóvel para locação convencional ou de curta temporada amplia as alternativas de geração de renda.
Essa combinação ajuda a explicar por que construtoras estão desenvolvendo projetos com diferentes tipos de unidades e estruturas compartilhadas.
A tendência também acompanha o comportamento do mercado imobiliário nacional. No Brasil, os lançamentos registraram crescimento de 18,6%, chegando a 133,8 mil unidades, segundo os dados apresentados na reportagem.
Com a continuidade dos investimentos e a transformação no perfil dos consumidores, os apartamentos compactos no Espírito Santo devem permanecer entre os segmentos de destaque do mercado imobiliário capixaba, especialmente em áreas valorizadas da Grande Vitória.








































