A dor de perder uma mãe, uma filha ou uma amiga para o machismo não pode ser resumida a números em uma planilha. Infelizmente, as notícias que chegam quase diariamente aos lares capixabas sobre mulheres que perderam suas vidas de forma brutal e covarde nas mãos de companheiros ou ex-companheiros são, no mínimo, estarrecedoras. Elas geram um misto de profunda tristeza e revolta imediata na sociedade. Diante dessa dura realidade, o combate à violência contra a mulher no ES deixou de ser apenas uma pauta de segurança pública para se transformar no principal campo de batalha das eleições de 2026 ao Palácio Anchieta.
O peso desse debate tem uma justificativa demográfica muito clara: as mulheres representam 53% de todo o eleitorado do Espírito Santo. É a força feminina que vai decidir, nas urnas, quem será o próximo governador. Sabendo disso, os principais candidatos — o atual governador Ricardo Ferraço (MDB), o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o deputado federal Helder Salomão (PT) — fizeram dessa urgência social o tema central de seus discursos ao longo da pré-campanha.
O Cenário Preocupante e as Estatísticas Que Exigem Ação
Quando analisamos os dados da violência contra a mulher no ES, o cenário exige ações imediatas e enérgicas do poder público. Segundo a nota técnica recém-divulgada “Retratos dos Feminicídios do Brasil”, elaborada pelo respeitado Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Espírito Santo lidera um triste ranking. Entre os estados da região Sudeste, o território capixaba amarga a maior taxa de feminicídios, registrando 1,7 mortes a cada 100 mil mulheres neste ano de 2025.
Esse índice não apenas lidera no Sudeste, mas coloca o estado acima da média nacional, ocupando o doloroso 10º lugar no país, empatado com os estados de Pernambuco e da Paraíba. Esse não é o tipo de liderança que os capixabas desejam. Por isso, as propostas para frear a violência contra a mulher no ES se tornaram o termômetro para medir o compromisso real dos postulantes ao governo com a vida e a dignidade humana.
A Visão da Oposição: Lorenzo Pazolini e o Foco na Segurança
Como candidato de oposição à atual gestão estadual, Lorenzo Pazolini (Republicanos) utiliza seu tempo de fala para destacar justamente esses índices negativos, cobrando uma postura diferente. Sendo delegado de Polícia Civil de carreira, ele tenta atrair para si o eleitorado ligado à segurança pública. Para Pazolini, os dados sobre a violência contra a mulher no ES demonstram uma falha na proteção estadual.
Durante a convenção do seu partido, realizada no último dia 4, ele usou a sua gestão na capital como vitrine: “E Vitória dando exemplo. Nós chegamos a 600 dias sem mortes (sem feminicídios)”, afirmou com veemência. Ele fez questão de ressaltar que, apesar do esforço diário de homens e mulheres das polícias civis, militares, federais e municipais, o estado como um todo ainda lidera as estatísticas no Sudeste.
No dia 1º de agosto, na convenção do PL (partido que apoia sua candidatura), Pazolini revelou ter conversado com Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República, apresentando as soluções desenvolvidas em Vitória para a proteção das famílias. Flávio prometeu incorporar sugestões, mas entregou propostas vagas no âmbito nacional, como a criação de uma inteligência artificial chamada MarIA, vendida como uma “amiga virtual” para as vítimas. Pazolini, que ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice em sua chapa, aposta na tecnologia e no histórico policial para convencer as eleitoras.
A Resposta do Governo: Ricardo Ferraço e os Desafios Reais
Do outro lado do balcão, sentado na cadeira de governador, Ricardo Ferraço (MDB) também trata o combate à violência contra a mulher no ES como prioridade máxima, mas com a perspectiva de quem administra a máquina pública. Ferraço tem adotado um tom realista, evitando promessas milagrosas e reconhecendo o tamanho do desafio.
Durante a convenção do PSB, e posteriormente na do MDB no dia 5 de agosto, ele abriu seus discursos focando no público feminino. Com sinceridade, admitiu que a gestão ainda não alcançou o patamar desejado: “Não chegamos aonde nós queremos chegar. Nós estamos muito longe de onde nós queremos chegar”, pontuou o governador.
Apesar da autocrítica, Ferraço fez questão de defender o trabalho de suas equipes, observando que a gestão conseguiu reduzir o índice de feminicídio em 10%. O dado é respaldado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que apontou uma queda de 10,3% entre 2021 e 2025. Para compor sua chapa e buscar a reeleição, Ricardo terá como vice o vereador de Vitória, Camillo Neves (PP), indicado pela força da federação União Progressista, apostando na continuidade do trabalho para diminuir ainda mais a violência contra a mulher no ES.

A Proposta Petista: Helder Salomão e o Pacto Estadual
Correndo por uma terceira via forte, o deputado federal Helder Salomão (PT) traz uma abordagem estrutural para a mesa. Em entrevista recente durante a convenção estadual do Partido dos Trabalhadores, Helder bateu no peito e cravou ser “o único candidato com condições” de apresentar uma proposta efetiva e definitiva contra a violência contra a mulher no ES.
A principal bandeira do candidato petista é a criação de um “Pacto Estadual pelo fim do feminicídio no Espírito Santo”. Segundo ele, esse é um compromisso inegociável que estará detalhado em seu programa de governo. A estratégia de Helder é emular, em âmbito estadual, o bem-sucedido Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, recentemente lançado pelo governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva.
Para dar peso e representatividade à sua fala, a chapa de Helder traz um grande diferencial estratégico e simbólico nas eleições: sua vice é uma mulher, a Professora Valdirene Bernardino, também filiada ao PT. Essa composição tenta passar a mensagem de que o partido ouvirá as mulheres não apenas na teoria, mas dividindo o poder de decisão na prática.
O Futuro Está nas Urnas
Seja pelas promessas de endurecimento da segurança de Pazolini, pelo realismo e continuidade de Ferraço, ou pelo pacto social proposto por Helder, uma coisa é certa: a violência contra a mulher no ES é uma chaga que precisa ser curada com urgência. As capixabas não querem apenas ser lembradas nos discursos calorosos de ano eleitoral; elas exigem viver sem medo. O poder de mudar essa triste realidade está, de forma inquestionável, nas mãos dos 53% de mulheres que irão às urnas depositar não apenas o seu voto, mas a sua esperança por um estado mais seguro e justo.









































