Uma tecnologia capixaba desenvolvida para tornar a irrigação mais eficiente está chamando atenção pelo resultado alcançado em propriedades produtoras de café no Espírito Santo. A solução criada pela startup Smartirriga conseguiu reduzir em 36% o consumo de água nas propriedades monitoradas, utilizando recursos de inteligência artificial, sensores e automação.
O resultado coloca a inovação desenvolvida no Estado em evidência no setor do agronegócio e mostra como ferramentas tecnológicas podem ajudar produtores a enfrentar um dos principais desafios da agricultura: produzir mais utilizando os recursos naturais de maneira eficiente.
A solução passou a integrar a estratégia de sustentabilidade hídrica da Nestlé em cafezais capixabas. O caso também ganhou repercussão nacional após ser apresentado em reportagem da revista Exame.
Tecnologia capixaba chega ao campo
A Smartirriga — Gestão Inteligente para o Agronegócio — é uma startup que desenvolveu uma ferramenta voltada ao monitoramento e controle da irrigação.
A tecnologia capixaba utiliza sensores e inteligência artificial para acompanhar, em tempo real, informações relacionadas às condições climáticas e às necessidades da lavoura.
Com os dados coletados, o sistema consegue identificar os momentos em que a plantação realmente precisa receber água. Dessa maneira, a irrigação deixa de depender apenas de decisões manuais ou de horários previamente definidos.
Na prática, o objetivo é aplicar somente a quantidade necessária para o desenvolvimento das plantas, evitando desperdícios.
O resultado observado nas propriedades monitoradas foi uma redução de 36% no consumo de água, um índice que chama atenção principalmente em uma atividade agrícola como a cafeicultura, que depende diretamente de um manejo adequado dos recursos hídricos.
Inteligência Artificial ajuda a decidir quando irrigar
Um dos principais diferenciais da solução está justamente na utilização da Inteligência Artificial.
Em vez de simplesmente acionar a irrigação em determinados horários, o sistema reúne informações sobre o ambiente e a lavoura para ajudar a definir quando a água deve ser aplicada.
Sensores acompanham as condições do solo e outros dados relevantes para o funcionamento do sistema. Essas informações são utilizadas para tornar o processo de irrigação mais preciso.
A proposta é evitar dois problemas comuns na agricultura: a falta de água para a planta e o excesso de irrigação.
Quando há aplicação acima da necessidade, além do desperdício de água, o produtor também pode ter aumento de custos relacionados à energia e à operação do sistema.
Por outro lado, quando a quantidade aplicada é insuficiente, o desenvolvimento da lavoura pode ser prejudicado.
A tecnologia capixaba busca justamente encontrar um equilíbrio entre esses dois pontos.
Economia de água também representa economia para o produtor
A redução de 36% no consumo de água não representa apenas um benefício ambiental.
Para o agronegócio, utilizar melhor os recursos disponíveis também pode significar redução de despesas e maior eficiência operacional.
Sistemas de irrigação dependem de equipamentos, energia e mão de obra. Quanto mais eficiente for o funcionamento, maior pode ser a capacidade do produtor de controlar seus custos.
Por isso, soluções como a desenvolvida pela Smartirriga despertam interesse entre empresas que buscam melhorar a produtividade e, ao mesmo tempo, adotar práticas de sustentabilidade.
A tecnologia capixaba aparece nesse cenário como uma ferramenta que conecta inovação e produção agrícola.
Startup recebeu apoio de programa estadual
A história da Smartirriga também está ligada ao ecossistema de inovação do Espírito Santo.
A empresa participou da primeira edição do Programa Sementes, iniciativa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti) voltada ao desenvolvimento de startups em estágio de ideação e validação no interior do Estado.
Durante o processo de aceleração, a empresa recebeu mentorias, apoio para estruturar o modelo de negócio e conexões estratégicas.
Segundo a diretora da Smartirriga, Sheila Cristina Prucoli Posse, a participação no programa foi importante para preparar a empresa para oportunidades como a parceria com uma multinacional do porte da Nestlé.
O caso demonstra como programas de incentivo à inovação podem ajudar empresas que estão começando a transformar projetos tecnológicos em soluções utilizadas comercialmente.
Parceria com a Nestlé amplia alcance da solução
A aplicação da solução em propriedades ligadas à Nestlé representa um passo importante para a startup.
A multinacional possui uma cadeia de fornecimento de café que depende de produtores capazes de manter qualidade, produtividade e sustentabilidade.
Nesse contexto, reduzir o consumo de água pode contribuir para tornar a produção mais eficiente e também ajudar na adaptação das lavouras aos desafios provocados pelas mudanças climáticas.
A utilização da tecnologia capixaba em propriedades monitoradas pela empresa mostra que soluções desenvolvidas localmente podem encontrar espaço em grandes cadeias produtivas.
Para uma startup, conquistar uma parceria dessa dimensão também pode abrir portas para novos mercados e aplicações.
Sustentabilidade ganha importância no agronegócio
A preocupação com o uso da água vem crescendo no setor agrícola.
Períodos de estiagem, alterações no regime de chuvas e aumento da demanda por alimentos tornam cada vez mais importante o desenvolvimento de métodos que permitam utilizar os recursos naturais de maneira mais racional.
Nesse cenário, a tecnologia pode desempenhar um papel importante.
O uso de sensores, inteligência artificial e automação permite que decisões que antes dependiam exclusivamente da experiência humana passem a contar também com dados coletados diretamente no campo.
Isso não significa substituir o conhecimento do produtor. A proposta é oferecer informações que ajudem na tomada de decisões.
A tecnologia capixaba desenvolvida pela Smartirriga segue justamente essa lógica.

Programa Sementes já acelerou dezenas de startups
O caso da Smartirriga também chama atenção pelos números apresentados pelo governo estadual sobre o Programa Sementes.
Segundo dados divulgados pela Secti, a primeira edição do programa acelerou 50 startups, recebeu mais de 300 inscrições de 12 estados brasileiros e ampliou sua atuação para 47 municípios capixabas.
Ainda de acordo com os dados divulgados pelo programa, mais de 15 mil pessoas foram impactadas por mais de 340 ações de difusão da inovação.
As startups aceleradas somariam mais de R$ 7 milhões em faturamento, segundo os números oficiais apresentados pela Secti.
Esses dados ajudam a dimensionar o crescimento das iniciativas voltadas ao empreendedorismo tecnológico no Espírito Santo.
Novos investimentos em inovação estão previstos
A política estadual de incentivo às startups também deve continuar.
O governo do Espírito Santo já sinalizou o lançamento de um segundo edital do Programa Sementes no segundo semestre de 2026, com foco no fortalecimento do ecossistema de inovação nos municípios do sul capixaba.
A expectativa é que novas empresas possam receber apoio para desenvolver soluções e transformar ideias em negócios.
A experiência da Smartirriga mostra um dos caminhos possíveis: uma startup nasce com uma proposta tecnológica, recebe apoio para estruturar o negócio e posteriormente consegue colocar sua solução em uma grande cadeia produtiva.
Tecnologia e café se encontram no Espírito Santo
O Espírito Santo possui forte tradição na produção de café, especialmente do conilon, e o setor representa uma parcela importante da atividade econômica de diversas regiões capixabas.
Ao mesmo tempo, a agricultura enfrenta desafios relacionados à disponibilidade de água, mudanças climáticas, custos de produção e necessidade de aumento da produtividade.
É justamente nesse ponto que a inovação pode ganhar espaço.
A tecnologia capixaba voltada à irrigação inteligente mostra que o desenvolvimento tecnológico não precisa estar restrito aos grandes centros urbanos.
Soluções podem ser criadas dentro do próprio Estado e aplicadas diretamente nas propriedades rurais.
O resultado de 36% de redução no consumo de água nas propriedades monitoradas é um exemplo de como a combinação entre tecnologia e conhecimento do campo pode produzir resultados concretos.
Um exemplo de inovação criada no Estado
O caso da Smartirriga também reforça a importância de aproximar startups, produtores rurais, instituições públicas e grandes empresas.
Quando esses setores trabalham em conjunto, soluções desenvolvidas por pequenas empresas podem chegar a mercados maiores e enfrentar problemas que afetam diretamente a produção.
A tecnologia capixaba que está sendo aplicada nos cafezais mostra justamente essa conexão entre inovação, sustentabilidade e agronegócio.
Mais do que uma ferramenta para economizar água, a solução representa uma mudança na forma de tomar decisões dentro da propriedade rural.
Com informações obtidas diretamente do campo, o produtor pode ter mais controle sobre a irrigação e utilizar os recursos disponíveis de maneira mais estratégica.
Espírito Santo ganha destaque na inovação agrícola
A repercussão do projeto coloca novamente o Espírito Santo no mapa das iniciativas que unem tecnologia e agricultura.
O resultado obtido pela Smartirriga mostra que empresas capixabas podem desenvolver soluções capazes de atender demandas de grandes grupos e, ao mesmo tempo, contribuir para desafios ambientais.
A redução de 36% no consumo de água nas propriedades monitoradas é o principal indicador divulgado até agora, mas o impacto potencial da tecnologia vai além da economia hídrica.
A automação da irrigação também pode contribuir para o planejamento da produção, o controle de custos e a adaptação das lavouras às condições climáticas.
A tecnologia capixaba desenvolvida pela startup passa, assim, a representar um exemplo de como inovação e agronegócio podem caminhar juntos.
Com novos investimentos e programas de apoio às startups previstos para os próximos meses, a expectativa é que outras empresas do Espírito Santo também desenvolvam soluções voltadas para problemas reais do campo.
No caso da Smartirriga, a experiência com os cafezais mostra que uma ideia desenvolvida no Estado pode alcançar grandes empresas e gerar resultados mensuráveis. A economia de água registrada nas propriedades monitoradas reforça o potencial da inovação como ferramenta para tornar a agricultura mais eficiente e sustentável.










































