O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), determinou novamente a demissão do tenente da Polícia Militar Henrique Otávio Oliveira Velozo, acusado de matar o campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (21 de outubro de 2026), após novos desdobramentos judiciais que encerraram a disputa sobre a permanência do oficial na corporação.
Demissão foi restabelecida após disputa judicial
A nova medida restabelece os efeitos da demissão determinada em setembro de 2025, cuja aplicação havia sido suspensa posteriormente por uma decisão judicial favorável à defesa do policial. Na ocasião, Henrique Velozo conseguiu retornar aos quadros da Polícia Militar e recuperar o direito de receber seus vencimentos.
Com o novo desdobramento judicial, o governo paulista voltou a aplicar a penalidade administrativa, afastando o oficial da corporação. A decisão assinada por Tarcísio foi tomada após a conclusão do processo relacionado à manutenção da demissão.
A defesa do tenente informou que pretende recorrer da medida.
PM foi absolvido pelo Tribunal do Júri
Apesar da demissão administrativa, Henrique Velozo foi absolvido pelo Tribunal do Júri em novembro de 2025, quando os jurados acolheram a tese de legítima defesa apresentada pela defesa.
O Ministério Público contestou a absolvição, e o recurso apresentado contra o resultado do julgamento ainda aguarda análise, conforme as informações divulgadas sobre o caso.
A situação evidencia a diferença entre as esferas criminal e administrativa. Enquanto o processo criminal trata da responsabilidade penal pela morte do atleta, o procedimento administrativo avalia se a conduta do policial é compatível com a permanência na Polícia Militar.
Por isso, a absolvição criminal não impediu que o procedimento disciplinar tivesse continuidade e resultasse na manutenção da demissão do oficial.
Relembre a morte de Leandro Lo
Leandro Lo era um dos principais nomes do jiu-jítsu mundial e conquistou oito títulos mundiais na modalidade. O atleta tinha 33 anos quando foi baleado durante uma confusão em um clube na zona sul de São Paulo, na madrugada de 7 de agosto de 2022.
Segundo as investigações e os relatos apresentados sobre o episódio, o desentendimento começou durante um evento musical. Durante a discussão, o lutador teria imobilizado Henrique Velozo, que estava de folga na ocasião.
De acordo com a acusação, o policial se afastou e, posteriormente, retornou armado, disparando contra a cabeça do atleta. Leandro Lo foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
Velozo se apresentou à Corregedoria da Polícia Militar após o ocorrido e passou a responder pelo caso. A defesa sustentou que ele agiu em legítima defesa, tese posteriormente acolhida pelos jurados no julgamento criminal.
Caso continua repercutindo
A nova demissão de Henrique Velozo voltou a colocar o caso Leandro Lo em evidência, especialmente pela diferença entre o resultado do julgamento criminal e as consequências administrativas impostas ao policial.
A decisão do governo paulista representa mais um capítulo de um processo que envolve a morte de um atleta reconhecido internacionalmente, a atuação da Justiça e os mecanismos disciplinares da Polícia Militar.
Enquanto a defesa anuncia que pretende recorrer da demissão, o caso segue marcado pela repercussão da morte de Leandro Lo e pelos questionamentos apresentados pelas partes ao longo dos procedimentos judiciais.






































