A morte da primeira-tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), comoveu colegas de farda e repercutiu nas redes sociais após a queda de uma aeronave da corporação na sexta-feira (9), em Santana do Paraíso, na região do Vale do Aço, em Minas Gerais. A militar havia retornado recentemente ao trabalho após a licença-maternidade e foi homenageada pelo Comando de Aviação do Estado pouco antes do acidente.
Gabriela estava entre os três policiais militares que morreram na ocorrência registrada nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço. Também perderam a vida o tenente-coronel Luis Silvestre e a tenente Alice Almeida.
A história da tenente ganhou destaque especialmente pela coincidência entre sua volta às atividades profissionais e a homenagem publicada pela corporação. O episódio provocou manifestações de pesar e chamou a atenção para a trajetória de uma profissional que marcou a história da aviação policial mineira.
Homenagem marcou retorno da piloto ao trabalho
Um dia antes do acidente, o Comando de Aviação do Estado da Polícia Militar de Minas Gerais publicou um vídeo em homenagem à tenente Gabriela Emília. As imagens registraram momentos de sua volta às atividades como piloto após o período de licença-maternidade.
Na gravação, a militar aparece se preparando para o voo e se despedindo da família. Ao final, ela é recebida pelo marido e pelos dois filhos, em uma cena que ganhou ainda mais repercussão após a confirmação de sua morte.
A publicação destacou os diferentes papéis desempenhados pela policial, que conciliava a maternidade com a carreira na segurança pública e a atuação na aviação.
A homenagem, inicialmente dedicada ao retorno da profissional, passou a ser compartilhada em tom de despedida após a tragédia.
Tenente foi pioneira na aviação da PM de Minas Gerais
Além da atuação operacional, Gabriela Emília construiu uma trajetória importante dentro da Polícia Militar mineira. Ela se tornou a primeira mulher da corporação habilitada para pilotar aeronaves de asa fixa do Comando de Aviação do Estado, conquista que representou um marco para a presença feminina nesse segmento.
A oficial ingressou na PMMG em fevereiro de 2017 e foi declarada oficial em 2019. Ao longo da carreira, trabalhou em diferentes funções, incluindo atividades no 34º Batalhão da Polícia Militar e no Comando Tático Móvel do 41º BPM, ambos em Belo Horizonte.
Em fevereiro de 2026, foi declarada piloto da corporação, consolidando uma etapa importante de sua trajetória profissional.
A conquista evidenciou sua preparação para atuar em uma área que exige treinamento especializado, disciplina e responsabilidade. Sua morte representa uma perda para a corporação e para os familiares que acompanhavam sua carreira.
Como aconteceu a queda do avião da PMMG
O acidente ocorreu na tarde de sexta-feira (9), em Santana do Paraíso, nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, na região de Ipatinga.
A aeronave da Polícia Militar havia saído de Belo Horizonte com destino à região do Vale do Aço. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o voo estava relacionado a um procedimento de treinamento e rechecagem periódica das habilitações dos pilotos.
O avião envolvido era um bimotor turboélice Beechcraft King Air 300, identificado pelo prefixo PP-EJO. A aeronave era utilizada em missões da corporação, incluindo operações aéreas e transporte de órgãos destinados a transplantes.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para atender à ocorrência, e equipes foram mobilizadas para os trabalhos no local. Os três ocupantes morreram.
As causas da queda ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação aeronáutica. Até a divulgação das conclusões oficiais, não é possível afirmar o que provocou o acidente.
Outros dois militares também morreram
Além de Gabriela Emília, a queda provocou as mortes do tenente-coronel Luis Silvestre e da tenente Alice Almeida.
Os três integravam o Comando de Aviação do Estado e participavam de atividades ligadas à operação aérea da Polícia Militar mineira.
A morte dos profissionais causou comoção entre integrantes da corporação. O episódio também destacou os riscos envolvidos nas atividades aéreas realizadas por equipes de segurança pública, que dependem de treinamento, planejamento e procedimentos rigorosos.
As circunstâncias do acidente deverão ser analisadas pelos órgãos competentes, que terão a responsabilidade de reunir informações técnicas e evidências para esclarecer a ocorrência.
Investigação deverá esclarecer as causas
A investigação do acidente ficará a cargo das autoridades aeronáuticas competentes, incluindo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Entre os aspectos que podem ser examinados estão as condições da aeronave, os registros de manutenção, os dados do voo e os fatores operacionais relacionados à ocorrência. A análise técnica é necessária para determinar o que aconteceu, sem antecipar conclusões antes da divulgação dos resultados.
A tragédia encerrou de forma inesperada a trajetória de três profissionais da Polícia Militar de Minas Gerais. No caso de Gabriela Emília, a perda ganhou repercussão adicional por ocorrer pouco depois de seu retorno da licença-maternidade e de uma homenagem que celebrava sua volta aos céus.
A história da tenente deixa registrada sua contribuição à aviação policial mineira e a conquista que a tornou pioneira entre as mulheres habilitadas a pilotar aeronaves de asa fixa na corporação.







































